É interessante observar como alguns escritores conseguem traduzir o que está dentro de você de uma forma impressionante e, por vezes, assustadora. Tem-se a impressão de que eles são ou foram exatamente igual a você, principalmente quando se fala da dor de ser quem se é, quando se fala daquilo que os olhos não podem ver, daquilo que só o coração consegue sentir e que, com frequência, não se encontra palavras para descrever.
É exatamente assim que estou me sentindo com a leitura de O Lodo da Estepe de Hermann Hesse, escritor alemão que iniciou sua carreira aos 21 anos publicando poesias. Uma profunda humanidade e uma penetrante filosofia impregnam suas obras mais tardias como Sidarta (1922), O Lobo da Estepe (1927) e Narciso Goldmund (1930). Dos três, li Sidarta em 2024, livro de que gostei muito, pois traz ensinamentos profundos e muitas reflexões. Neste momento, encontro-me lendo O Lobo da Estepe, livro que tem me surpreendido absurdamente. Tenho me identificado com os trejeitos, misantropia, auto misantropia, anseio pela solidão, entre outros aspectos.
Essas são questões que permeiam a minha caminhada neste mundo e, durante a leitura, sinto como se Hesse estivesse descrevendo a mim, com todas as minhas nuances, incongruências, imperfeiçoes e apego ao mundo solitário, que assim é que defino a minha existência. Minha solidão é paradoxal, pois ela me é imposta por natureza devido ao autismo e, por outro lado, eu a busco incessantemente, por vontade própria.
Como de costume, ao fazer uma leitura, sou o tipo de leitor que faz marcações e escreve no livro, pois de tempos em tempos, volto a consultar tais trechos. No livro em questão, são muitas marcações. Hesse nutria um pessimismo e desprezo por si mesmo e de si falava sem indulgência ou piedade. De certa forma, tenho o mesmo sentimento em relação a mim e costumo mencionar uma frase da filosofia, a qual diz que o ser humano é um pobre diabo e que vive em busca de algum conforto ou entretenimento para fugir de si mesmo, pois não se suporta. A Hesse, Schopenhauer e Sartre justaram-se nesta batalha contra si mesmos.
Acredito que Hesse nutria um desprezo pelas coisas do mundo muito mais profundo que eu consigo fazê-lo. Certamente, assim como ele, eu muito pouco compartilho dos valores e dos desejos do mundo e tenho extremas dificuldades em ir aonde todos vão, vestir o que todos vestem, comer o que todos comem, viajar aonde todos viajam, pensar e agir como todos o fazem. Portanto, encontro prazeres onde pouquíssimas pessoas o veem, como por exemplo, ficar sozinho, ler livros antigos, ouvir música clássica, conversar sobre assuntos profundos a respeito da condição humana, viajar a um lugar desconhecido.
“Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo, nem ar, nem alimento no mundo que lhe é estranho e incompreensível.” (Página 41) “O lobo da Estepe tinha, portanto, duas naturezas: uma de homem e outra de lobo; tal era seu destino, nem por isso tão singular e raro.” (Página 53).
Nós, os lobos da Estepe, sentimo-nos acuados pelo mundo em que vivemos, pois não conseguimos nos encaixar na superficialidade da condição humana. Somos muitos profundos, arredios e encontramos na solidão aquilo que muitos definiriam como felicidade. De forma alguma, pensamos que somos sofredores e que temos o maior sofrimento do mundo em nossas cabeças. O que não conseguimos tolerar são as futilidades da vida às quais grande parte das pessoas se apega como se elas fossem o que realmente importa.
Nós somos aquelas pessoas às quais poucos têm acesso e quando o têm, é restrito, pois como Hesse escreve em seu livro “muitos (as pessoas próximas) o estimaram por ser uma pessoa inteligente, refinada e arguta, e mostraram-se horrorizados quando descobriram o lobo que morava nele.” Outras o admiravam exatamente pela sua peculiaridade, liberdade e força que encontrava na solidão, quase como um ermitão.
A minha próxima leitura de Hesse será Demian, livro pelo qual estou muito curioso. No mais, recomendo Hesse a todos os lobos da estepe.
Você já conhece o livro VIXI Códigos de Praga?

Na misteriosa cidade de Praga, Ean Blažej, um jornalista solitário e apaixonado por filosofia, dedica grande parte de seu tempo aos livros. Certa noite, tem um pesadelo perturbador. Desde então, anonimamente, passa a receber mensagens e códigos secretos que o confundem, levando-o a diferentes pontos da cidade e a um castelo medieval, conhecido por ser um portal para o inferno. O local esconde uma sociedade secreta. A situação foge do controle quando explosões premeditadas sacodem Praga. Então, Ean se apressa para descobrir o que está além do que os olhos podem ver. Uma aventura detetivesca repleta de ação, mistério, conexões intrigantes e reflexões profundas sobre a solidão na vida moderna.
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