A solidão é um tema recorrente das minhas reflexões, sejam elas escritas, pensadas ou em conversas com uma ou outra pessoa de maior profundeza intelectual. Existem muitas nuances da solidão que, por vezes, são confusas até para mim, pois eu não tenho a clareza se a solidão em que vivo é por razão apenas do autismo, se é razão da minha profundeza intelectual, imposição social, ou minha própria escolha. O que, na verdade, sinto é que sou tão solitário por razão do autismo, em primeiro lugar, e por uma preferência também.
Estar rodeado de pessoas sempre me é muito desgastante, pois são muitos ruídos auditivos e visuais que me sobrecarregam até a exaustão, por isso minha bateria social se acaba muito rapidamente. Soma-se a isso o fato de que consigo manter uma conversa regular apenas quando estou com uma pessoa. Caso, eu esteja em um grupo, permaneço calado na maior parte do tempo, pois nunca sei a minha hora de falar, são muitas informações para processar e, salvo raras exceções, são assuntos desinteressantes. Se a conversa não me estimula intelectualmente, não consigo ali estar.
Eu entendo que sou uma pessoa de interesses profundos e meus estímulos em uma conversa somente se originam dessas profundezas. Ademais, sei que grande parte das pessoas vive na superficialidade e quando alguém profundo se aproxima, nasce um conflito que impede uma comunicação assertiva e frutífera. Conversar comigo demanda um repertório considerável, pois sou aquela pessoa que questiona tudo, jamais se satisfazendo com respostas de senso-comum. Leio muito e sou muito curioso, com isso, meu repertório está sempre se ampliando. Visto que a maioria não tem profundidade, essa solidão também me é imposta por terceiros.
As poucas pessoas com quem converso nem sempre estão disponíveis e quando estão, nem sempre estão dispostas a se aprofundar em um assunto ou responder os meus porquês. Essa minha insistência em ir sempre além em uma conversa acaba afugentando as pessoas. No fim das contas, descobri que escrevo, justamente pelo fato de conseguir conversar e colocar as minhas reflexões em prática com as vozes da minha cabeça. A escrita me alivia, drena as minhas angústias.
Há momentos em que meu único desejo é conversar com alguém e esse desejo pode ser tão profundo a ponto de eu estar disposto a me submeter a uma conversa mais superficial, apesar de minha balança sempre pender para assuntos de gente grande. Essas conversas mais superficiais conseguem, algumas vezes, distrair-me de mim mesmo e me afastar um pouco do meu próprio convívio, mesmo que não sejam as mais interessantes. Porém, meu tempo de tolerância, nesse aspecto, é mais curto. Isso significa que, na maior parte dos casos, cinco minutos já me deixam entediado.
A bem da verdade, tenho percebido que possuo extrema dificuldade em me conectar com as pessoas na realidade e as conversas virtuais geram muitos atritos por razão da minha literalidade e dificuldade de compreensão das mensagens ambíguas, sem pontuação adequada ou erros gramaticais. Isso tudo gera um estresse tão profundo que até pelas mídias sociais tenho evitado conversar, pois, na verdade, tenho me sentido exausto e muitas dessas interações acabam se transformando em desentendimentos. É muito exaustivo ter que ficar interpretando o que os outros querem dizer, o tempo todo.
Isso tudo explica um pouco do mundo solitário em que vivo, que me faz conviver comigo mesmo o tempo todo. Já escrevi em um texto recente que a minha sobrecarga é tão pesada que muitas vezes eu gostaria que alguém me resgatasse de mim mesmo, desligasse a minha chave e me transportasse por um outro mundo onde eu pudesse estar livre, por um instante, dessa minha condição. Por outro lado, compreendo que a dificuldade para as pessoas conviverem com um autista é tão profunda que justifica a distância que elas mantêm de nós. Este texto é um claro exemplo de uma necessidade de comunicação que está me esmagando de tanta angústia. Assim, para aliviá-la, minha única forma é escrever. Contudo, fico feliz por ter essa possibilidade. Se um dia me tirarem a escrita, assinarão meu atestado de óbito ao mesmo tempo. Como aconteceu com famosos escritores angustiados, a minha escrita me salva de mim mesmo.
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Este é V.I.X.I. Códigos de Praga, o mais novo livro de suspense, mistério, ficção e elementos reais, a primeira obra criada por mim.

Sinopse
Na misteriosa cidade de Praga, Ean Blažej, um jornalista solitário e apaixonado por filosofia, dedica grande parte de seu tempo aos livros. Certa noite, tem um pesadelo perturbador. Desde então, anonimamente, passa a receber mensagens e códigos secretos que o confundem, levando-o a diferentes pontos da cidade e a um castelo medieval, conhecido por ser um portal para o inferno. O local esconde uma sociedade secreta. A situação foge do controle quando explosões premeditadas sacodem Praga. Então, Ean se apressa para descobrir o que está além do que os olhos podem ver. Uma aventura detetivesca repleta de ação, mistério, conexões intrigantes e reflexões profundas sobre a solidão na vida moderna.
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