O mundo atual está assassinando a sua capacidade de pensar

As pessoas estão delegando o ato de pensar para as inteligências artificiais. Passam horas definhando seus cérebros nas redes sociais. Pouco a pouco, estão se tornando zumbis.

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Nem a Literatura tem escapado da superficialidade do mundo atual. Assim como ela, tudo tem sido reduzido para caber em poucos minutos da vida das pessoas. A internet está repleta de anúncios obscenos como ‘Escreva seu livro em uma hora’. Como leitor e escritor, fico me perguntando que classe de livro pode ser escrito em tão pouco tempo e como é possível criar uma obra com tanta rapidez? Logicamente que todos sabemos a resposta. Por trás disso está a Inteligência Artificial e, como sempre, há pessoas que aproveitam para lucrar com ‘escritores e/ou autores’ que não querem usar a cabeça para pensar, por isso acreditam que um livro feito em uma hora possa oferecer alguma qualidade. Certamente, não é nada mais que uma cópia de muitas outras obras que foram lançadas.

Como escritor, professor, jornalista e, acima de tudo, leitor, oponho-me ferrenhamente a utilizar a Inteligência Artificial para que me responda as mais variadas dúvidas, resuma livros, me dê qualquer informação que tira uma habilidade e necessidade básica da minha pessoa que é pensar e refletir, muito menos para escrever um livro meu. Portanto, quando quero aprender algo, busco ler matérias, artigos ou livros para que eu continue exercitando o meu cérebro e a minha capacidade de pensar e refletir para que eu possa tirar as minhas próprias conclusões e ter/desenvolver as minhas próprias ideias. A essa altura, pergunto-me: Se tudo aquilo de que necessito para me manter informado, vou perguntar ao Chat GPT ou à IA, qual será a utilidade do meu cérebro? Quem não percebe isso, está, pouco a pouco, transferindo o trabalho de manter o cérebro ativo e reflexivo.

De forma alguma me oponho a essas ferramentas em sua totalidade, esclareço que o que me perturba é o fato de muitas pessoas delegarem o seu trabalho de pensar a essas ferramentas, deixando o cérebro inativo e perdendo a capacidade de interpretar e tirar conclusões, pois recebem tudo pronto. A isso tudo, volto ao tópico original dessa reflexão que é a superficialidade dos livros escritos atualmente, os quais, em grande parte são cópias de outros. Eu já li muitos livros de crescimento pessoal até o dia em que me cansei, pois, no fim das contas eram livros que, na essência, continham a mesma mensagem. Tomemos como exemplo um livro muito famoso chamado ‘A única coisa: A verdade surpreendentemente simples por trás de resultados extraordinários’.

O próprio título já diz que a verdade é surpreendentemente simples e é mesmo, pois o resumo do livro é que você deve se concentrar em apenas uma coisa para se tornar bem-sucedido. Por exemplo, no meu caso, eu quero ser um escritor de sucesso em suspense-mistério, assim devo apenas escrever livros desse gênero, que é o caso de VIXI Códigos de Praga. Assim, todos os outros que quero escrever, devem ser na mesma linha. Dan Brown, por exemplo, concentrou-se em apenas um gênero, assim como John Grisham, então os dois se tornaram um sucesso de vendas. Eles entenderam a ideia de concentrar todos os seus esforços em uma só coisa. Acredito sim que a ideia é correta, porém, são 240 páginas de leitura para dizer isso, o que se estende a muitos outros livros que estão no mercado. Por trás de uma obra assim, existe um grande interesse comercial, na verdade. Não questiono o fato de querer fazer dinheiro, até porque eu sou totalmente a favor do Capitalismo. Contudo, o que quero dizer aqui é que é preciso escolher com muito cuidado o que se vai ler.

Outro livro muito famoso é ‘Como fazer amigos e influenciar pessoas’, que eu também já li. Ao longo dos capítulos, o autor conta histórias de superação e sucesso, porém servem apenas para ter um livro e poder vender, pois o livro inteiro pode ser resumido em cinco páginas. Há um resumo no final de cada capítulo, ou seja, basta ler o resumo para saber o que fazer. No mais, livros de literatura de escritores brasileiros atuais que, a meu ver, ficam na superficialidade contando histórias que vemos todos os dias na televisão, nos noticiários policiais. Sem contar, a repugnante quantidade de palavrões que aparecem nas histórias. Confesso que ‘O peso do pássaro morto’ é um deles, obra que foi escrita com muitos palavrões e cenas muito desagradáveis. É como se fosse um programa policial que virou livro. E vendem aos montes, mas pouco ensinam.

Use as ferramentas tecnológicas, mas não para tudo. Use o seu cérebro ou ela irá definhar.

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