Uma paixão chamada inverno com todos os seus temperos: frio, brisa, penumbra, névoa, dias nublados ou incrivelmente frios e ensolarados, neve, café, livros, viagens… O frio me causa uma sensação inexplicável de prazer, principalmente quando estou viajando pela Europa e aquela brisa agradável, juntos aos mais lindos cenários, toca a minha pele. É um sentimento confortável que só se pode sentir, mas difícil de encontrar palavras para descrever.
Minha época preferida de viver é o inverno e, acima de tudo, para viajar. As melhores memórias de viagem que mantenho estão conectadas ao frio quando eu caminhava pelas ruas das cidades com café em mãos deslumbrando-me com as mais exuberantes formas de arquitetura ou paisagens naturais cheia de encanto, ainda mais quando estão cobertas pela neve. Toda a vez que sinto o frio na pele, minhas mais saudosas memórias de viagem se ativam causando-me uma profunda sensação de conforto.
Logicamente que ‘sentir o frio na pele’ é diferente de ‘passar frio’. Neste caso, hei de concordar que não é agradável de forma alguma. O que busco transmitir aqui é o fato de que passei a amar o frio por duas razões; uma delas é o conforto emocional que o frio me causa ao trazer à memória os momentos mais agradáveis da minha vida; outra questão é por eu possuir alta sensibilidade sensorial, o que, com o passar dos anos, tem se intensificado, tornando o verão um ‘veneno’, pois me causa exaustão completa deixando-me sem forças. Isso veio com o passar do tempo e confesso que, há muitos anos, eu até gostava do verão, talvez porque não era tão insuportável.
Dessa forma, prefiro o frio para viajar e temperaturas amenas para viver a vida cotidiana, pois me trazem mais conforto evitando exaustão. Particularmente, não gosto muito de praia, areia, sol, água do mar e em nada me agradam o calor, suor, queimação, a alta intensidade do sol torrando o corpo e se refletindo da areia aos olhos com aquela sensação detestável de grude no corpo todo. São sensações horríveis que busco evitar ao máximo possível. Contudo, se surgir a oportunidade de viajar a um lugar onde as temperaturas estão ao redor de zero, é para lá que vou. Portanto, faça-me um convite para o frio, jamais para o calor.
Dos lugares gelados em que já estive, alguns como Milão, Roma, Praga, Budapeste, Zurique, Genebra, Paris, Londres, Salzburgo, Viena e Hallstatt são aqueles que mais me transbordam de conforto. Em Milão, por exemplo, já estive três vezes, sempre no inverno e sempre voltarei na mesma estação, pois não consigo conceber uma nova visita à cidade em outra época. Encanto-me mais ainda se o local visitado tem lago ou montanha. Para mim, uma das melhores sensações da vida é me sentar à beira de um lago, ouvir o som da água observando montanhas cobertas de neve e sentindo a brisa na pele. Neste caso, um céu azul, aperfeiçoa o momento de uma forma inenarrável.
Já viajei a vários lugares pelo mundo. Entre as viagens mais geladas, estão a Europa e o Chile. Já estive cinco vezes em viagem de férias pela Europa, todas elas no inverno e todas igualmente inesquecíveis. Porém, para o ano de 2026, pela primeira vez, irei ao Velho Continente na primavera, em maio. As expectativas são grandes, pois as temperaturas estarão amenas e os jardins europeus abarrotados de flores. Meu roteiro inclui Romênia, Moldávia, Bulgária e Sérvia, alguns dos países da região com que sonho, há anos, em visitar. Por mais que não seja inverno, buscarei aproveitar o máximo possível tendo as sensações primaveris europeias. Mais tarde, pretendo ir a outros países no outono para ver as lindas folhagens alaranjas, avermelhadas e amarronzadas sob temperaturas agradáveis.
Segue uma galeria de fotos da minha última viagem à Itália, em dezembro de 2024. Foram 15 dias inesquecíveis para rever lugares já visitados e conhecer outros mais. O melhor de tudo é que era inverno






















