Quisera eu entender a razão pela qual meus pensamentos nunca se desligam, a razão de eu pensar tão frequentemente nas mais variadas possibilidades de vida que se estendem diante dos meus olhos no suposto futuro que chega a conta gotas. Emil Cioran, filósofo romeno, havia constatado que para o seu próprio pesar, somente são felizes aqueles que não pensam ou, dito de outra forma, aqueles que pensam o estritamente necessário para viver.
Todas as possibilidades de uma leve felicidade, vindas de uma mente superficial, são transformadas em um tímido contentamento pela existência indecorosa que habita o meu íntimo, guiada pelo meu entendimento profundo. Pensar excessivamente me inunda de medos, inquietações e pensamentos doentios tornando a vida insatisfatória. Todos os dias, minha mente me massacra com uma overdose de pensamentos que me afundam em um excesso de realidade.
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Veja a sinopse:
Na misteriosa cidade de Praga, Ean Blažej, um jornalista solitário e apaixonado por filosofia, dedica grande parte de seu tempo aos livros. Certa noite, tem um pesadelo perturbador. Desde então, anonimamente, passa a receber mensagens e códigos secretos que o confundem, levando-o a diferentes pontos da cidade e a um castelo medieval, conhecido por ser um portal para o inferno. O local esconde uma sociedade secreta. A situação foge do controle quando explosões premeditadas sacodem Praga. Então, Ean se apressa para descobrir o que está além do que os olhos podem ver. Uma aventura detetivesca repleta de ação, mistério, conexões intrigantes e reflexões profundas sobre a solidão na vida moderna.
Talvez eu nunca obtenha a resposta quando me questiono se seria mais prazeroso viver na superficialidade dos pensamentos, tampouco consigo compreender como as pessoas convivem com tal aspecto. Não consigo conceber uma vida que não seja nas profundezas da mente. Novamente, Cioran afirma que ter uma consciência sempre alerta, redefinir sem parar suas relações com o mundo e viver numa tensão perpétua do conhecimento nos leva a estar perdidos para a vida. Outra vez mais, Cioran, assim como Kafka ou Schopenhauer, em outras oportunidades, descreve exatamente a forma como existo.
Cioran dizia estar só neste mundo renunciando a sua condição de homem, sob os riscos de se encontrar sozinho nos degraus que gostaria de subir, mas no fundo já se sentia só onde estava. Igualmente, nas escadas pelas quais subo, já me encontro só há anos e elas me guiam, cada vez mais, para longe da naturalidade e da normalidade da vida, levando-me por caminhos ermos onde as almas atormentadas pelo excesso de pensamentos vagueiam solitariamente sem destino.
Há anos transito em um mundo onde sinto que nada tem importância como eu pensava, pois no fim das contas, tudo, de uma forma ou outra, perturba a minha mente. É algo que foge a minha compreensão, que outras pessoas não poderiam entender, por isso, falta-me a crença de que haja alguma solução para mim. No fundo, acredito que nasci condenado ao exílio que existe dentro de mim, ao qual ninguém pode chegar e de onde eu me sinto incapaz de fugir.
Essa questão toda me traz o pensamento de que minha existência, como acreditava Cioran, nada mais pode fazer que perturbar as pobres almas que ainda transitam ao meu redor, abalando a tranquilidade delas me levando a um sentimento de nulidade e desimportância. E, por mais que alguém tenha a coragem de me dizer que não sou desimportante diante deste mundo, custa-me muito crer nisso. Com algum ego ainda salvo de toda essa perturbação, semelhante a Cioran, ainda acredito que, apesar de nulo, sinto a minha existência como real.
Momentos de ecstasy na minha vida são tão raros que, quando aparecem, custo a acreditar que são reais. É como seu eu não os merecesse, visto que minha complexidade perturba a paz deste mundo e me joga em um vale de insignificância.
É tudo isso que buscava explicar quando alguém ainda permanecia ao meu lado. Mas essa ânsia por esclarecimentos tirava a minha paz, a ponto de, pouco a pouco, as pessoas me abandonarem e, neste meio tempo, cada tentativa de esclarecer me conduzia para longe de quem realmente sou. Sem opção de escolha, obriguei-me a seguir o caminho da minha alma, mesmo que isso significasse o isolamento. Passei a tornar-me quem realmente sou, isso me custou meus relacionamentos, minha convivência em sociedade, contudo, como já dito, não tive forças para fugir de quem sou, pois isso me perturbaria colossalmente mais que o meu estado natural.