A vida é longa o suficiente para se libertar e se reinventar

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A certa altura da vida, acredito que, pelos 30 anos, faz-se necessário ter uma boa noção dos seus talentos, os quais pavimentam a caminhada à realização dos sonhos. Contudo, de forma alguma isso é imperativo, pois como dizia Pedro Bial, algumas das pessoas mais interessantes que conheço, aos 40 anos, não fazem ideia do que querem fazer da vida. A muitos, essa indecisão a essa altura, causa grande tormento; outros, pouco se importam se ainda não decidiram o que fazer. Sinceramente, eu não saberia dizer se a dor da indecisão é maior que o bônus da certeza, como se alguém pudesse ter certezas na vida.

De qualquer forma, o decidido e o indeciso carregam suas cruzes. O indeciso, a cruz da frustração; o decidido, a cruz da responsabilidade em ser um profissional cada vez mais pujante. A este, a própria responsabilidade é o calcanhar de Aquiles, pois ela nos obriga a evoluir, pois, caso não o façamos, corremos grande risco de ficar de fora do mercado, ainda mais em tempos em que tudo se recria rapidamente e, aqueles que não acompanham as mudanças, tendem a perder oportunidades.

Em um mundo tecnológico que transforma tudo e todos em obsoleto em pouco tempo e com uma crescente expectativa de vida, a agonia de não saber o que fazer ou de se aposentar jovem, causa certa inquietação obrigando a todos, sem exceção, a se preocupar com o que fazer dos 60 aos 90, por assim dizer. Esse prolongamento da vida é algo positivo, mas que demanda atenção. O que muitos fazem ao se aposentar é se reinserir no mercado em alguma nova ocupação, visto que hoje o acesso a cursos de aperfeiçoamento e a grande onda de empreendedorismo são facilitadores.

Até pouco tempo, acreditava-se e ainda existe, na verdade, o pensamento de que uma pessoa deve iniciar sua carreira e seguir com ela por toda a vida, aposentar-se e esperar a morte. Hoje, esse cenário não existe mais, pois, uma pessoa que se aposenta cedo ou se cansa de sua profissão, possui uma ampla variedade de atividades que pode desenvolver para manter o seu sustento. Mudar de profissão aos quarentas, cinquenta ou sessenta é cada vez mais parte do nosso mundo moderno. Acredito que isso seja um motivo de orgulho, pois, por outo lado, estamos nos libertando do medo do julgamento a respeito de nossas bruscas mudanças, que é o que impede muitos de irem atrás de seus sonhos. Ninguém é obrigado a permanecer preso a uma profissão de que não gosta pela vida toda. Isso sim seria uma vida mal vivida.

Logicamente que mudar a direção no auge da vida adulta, pode não ser tão simples, pois exige estratégia. Contudo, as possibilidades que se abrem àqueles que se desafiam, são muito tentadoras. Acredito que estamos em uma época da história em que, mais do que nunca, podemos ir atrás daquilo que realmente gostamos, sem as amarras de seguir a profissão dos pais ou aquela que acreditamos que deveríamos ter devido à pressão social. Existem muitas pessoas felizes mental e monetariamente justamente pelo fato de terem tido a coragem de seguir aquilo que seus corações desejavam.

Assim como quase tudo na vida, mudar de carreira exige coragem e preparação, já que existe, por um tempo, a possibilidade de diminuição de ganhos, aumento da carga de trabalho e todo aquele estresse de crescer e aprender em uma nova área. Nem por isso, sinto que alguém que tenha a coragem e a preparação, deve deixar a oportunidade de lado. Afinal, é sempre bom fazer algo novo e, quando se tem a possibilidade de mudar uma rotina de que não se goste e recriar uma nova forma de viver mais feliz, sentir-se jovem e cheio de adrenalina, deve-se abraçá-la.

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