Desacelere, contemple e sinta a vida correr em sua veias

“Todos os dias deveríamos ler um bom poema, ouvir uma linda canção, contemplar um belo quadro e dizer algumas palavras bonitas.” – Johann Goethe

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Imagem: Pixabay

Contemplar a vida é uma tarefa que deveria fazer parte da rotina de todas as pessoas que estão vivas, mas, curiosamente, poucas são aquelas que o fazem. Contemplar aqueles momentos que trazem conforto é realmente muito importante para que, quando chegarmos à velhice, se tivermos tal sorte, possamos olhar para trás e sentir gratidão por ter visto a vida acontecer. Contemple o nascer e o pôr do sol, o café da manhã demorado no fim de semana, aquele momento de prazer ao estar com alguém de quem você gosta ou da sua própria companhia. Contemple os momentos que lhe trazem prazer, os quais, em grande parte, são aqueles mais simples.

O aspecto da contemplação que, de certa forma, se assemelha ao conceito Carpe diem, em Latim, o qual significa ‘Aproveite o dia’, tem sido cada vez mais alheio à vida corrida que levamos em meio aos aparatos eletrônicos que estão conosco o tempo todo, sendo o melhor exemplo o celular. Esse aparelho tem destruído a habilidade de comunicar das pessoas, adoecido outras e deprimido outras mais, seja por desentendimentos, vício ou comparação, distanciando-nos abruptamente da vida real. Poucos percebem que esse envolvimento tecnológico rouba a nossa vida e quem tem essa ciência e a possibilidade, afasta-se das mídias sociais.

Além do tempo que nos rouba, causa a sensação de que os dias passam cada vez mais rápido, aspecto que não existia há menos de 10 anos. Quando eu era criança e adolescente, tinha a impressão de que o Natal demorava anos para chegar, hoje ele demora de seis a sete meses, pois o comércio começa a se movimentar meses antes e segue, por pelo menos, um mês após a data passar. Na infância, essa percepção também se dava pelo fato de que uma criança não tem noção do que é o tempo, pois sequer existe para ela. Ao contrário de nós adultos que temos a noção do que ele é, do quão rápido passa e mesmo assim desperdiçamo-lo como se fôssemos eternos.

Toda essa velocidade da vida, então, acaba com aqueles momentos que realmente importam fazendo com que muitos passem a semana esperando pelo fim de semana e quando ele chega, estressam-se pela chegada da segunda-feira e, novamente, anseiam pelo fim de semana. No meio desse turbilhão, como analisamos neste texto, esquecem-se de viver, de contemplar e de ser, pois estão sempre em busca do que querem ser e do que querem viver, sem perceber que a vida é o que está acontecendo agora.

Como muitos aspectos da vida e, eu sempre repito isso, grande parte só aprende a contemplação com a chegada da maturidade, o que aliam a um mínimo de inteligência cognitiva. Outra parte, passa a vida alheia a esses dois importantes acontecimentos, pois não amadurecem, muito menos se utilizam da inteligência que possuem, pois afinal, por mais baixa que a capacidade cognitiva possa ser, espera-se que todos aprendam que a vida é passageira e que se não se sentarem, vez ou outra, para contemplá-la, chegarão à velhice sem saber o que é a vida e se a viveram, de fato.

É preciso contemplar mais buscando os momentos que fazem você se sentir confortável e tranquilo que te fazem ter vontade de fazê-lo com mais frequência, é exatamente por aí que o processo de contemplação deve se iniciar. Aos poucos, encontra-se muitos outros momentos pelos quais você sente felicidade, seguidos pela contemplação, sua vida se torna mais significativa, mais recompensadora e mais agradável. Você abre um portal para se ressignificar e dar mais valor ao que te faz feliz com profundidade, livrando-se da aceleração e da superficialidade da vida moderna.

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