O Último Segredo, um livro que perturba crenças frágeis

Se estivéssemos na Idade Média, O Último Segredo e seu autor seriam queimados nas fogueiras da Inquisição

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Imagem: Pixabay

O Último Segredo é um romance do escritor moçambicano, José Rodrigues dos Santos, que chama a atenção, desde a primeira página, pela semelhança com o famoso livro O Código Da Vinci, do escritor americano Dan Brown. A história se inicia na Sala Consultazioni Manoscritti, uma das alas da Biblioteca Apostólica Vaticana, a mais antiga da Europa, no Vaticano, onde a paleontóloga Patricia Escalona folheia o Codex Vaticanus, um dos mais antigos manuscritos da Bíblia Sagrada. Ali, ela é brutalmente assassinada e, para tornar tudo ainda mais misterioso, o assassino deixa um enigma, escrito em língua antiga.

Para resolver o mistério, a polícia italiana convoca o célebre historiador e criptoanalista português, Tomás Noronha. Enquanto investigam, outro assassinato em condições semelhantes, ocorre em Dublin, na Irlanda. Mais tarde, uma terceira morte é registrada em Plovdiv, na Bulgária. Todas estão conectadas a mentes célebres reconhecidas mundialmente. Por fim, as pistas levam os investigadores a Jerusalém, a Terra Santa, onde são colocados diante do último segredo do Novo Testamento: a verdadeira identidade de Cristo.

É interessante pontuar que no início do livro, em uma página, há a seguinte mensagem de alerta: Todas as citações de fontes religiosas e todas as informações históricas e cientificas incluídas neste romance são verdadeiras. Além disso, ao final, o autor escreve que é chocante saber que algumas das revelações feitas neste romance é o fato de nada do que ele contém ser realmente novo. Tudo o que está aqui resulta do trabalho crítico dos historiadores que atuam desde o século XVIII nesses estudos. Logo no início, o autor afirma que há mais de 400 mil erros na bíblia, sejam eles propositais ou não, mas que deturpam muitas verdades sobre a história de Jesus.

Assim, ao longo da trama, a polícia junto com o historiador, analisam muitos versículos em busca do real sentido deles com o objetivo de decifrar os enigmas para descobrir o que está por trás das mortes. O Jesus histórico que emergiu destes estudos se revelou bem diferente da construção divinizada que nos é apresentada na catequese, nas missas e nos textos religiosos, cita a nota final. Segundo o autor, o único elemento ficcional é a informação a respeito da descoberta de dois núcleos com DNA no ossário de Jesus. Tudo mais, então, são informações verídicas, como já supracitado.

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Na misteriosa cidade de Praga, Ean Blažej, um jornalista solitário e apaixonado por filosofia, dedica grande parte de seu tempo aos livros. Certa noite, tem um pesadelo perturbador. Desde então, anonimamente, passa a receber mensagens e códigos secretos que o confundem, levando-o a diferentes pontos da cidade e a um castelo medieval, conhecido por ser um portal para o inferno. O local esconde uma sociedade secreta. A situação foge do controle quando explosões premeditadas sacodem Praga. Então, Ean se apressa para descobrir o que está além do que os olhos podem ver. Uma aventura detetivesca repleta de ação, mistério, conexões intrigantes e reflexões profundas sobre a solidão na vida moderna.

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No começo do texto, fiz referência ao Código Da Vinci, de Dan Brown, pois esse livro perturbou as mentes religiosas de forma estrondosa. O mesmo acontece com o livro de José Rodrigues dos Santos, o qual deve ser lido com mente aberta, sem apego a paixões, pois se fosse na Idade Média, este seria um livro que iria para a fogueira junto com o seu autor. Lembro-me que em 2007, quando li O Código Da Vinci, minhas convicções religiosas iam se abalando capítulo por capítulo, tanto que, quando finalizei a leitura, eu me sentia chocado com as informações reveladas, as quais, sempre me foram ocultadas desde a minha infância e adolescência. Foi por meio dessa leitura que comecei a questionar as minhas crenças e as verdades que me foram passadas pela religião. Neste ano, eu já tinha 19 anos de idade, hoje tenho 37 e nunca mais vi a igreja e o mundo da mesma forma.

A leitura de O Último Segredo me prendeu desde o início, pois possui alguns dos meus elementos favoritos em uma história: religião, enigmas, diferentes cidades e muito mistério com suspense. Além do mais, envolve revelações que, até então, eram desconhecidas por mim, o mesmo que o livro de Dan Brown o fez. Gosto de ler livros que me façam questionar as minhas crenças, pois eu não tomo absolutamente nada como verdade inquestionável.

No Brasil, o livro está em segunda edição, com o ano de 2024, pela Editora Record. Na Amazon, ele está com nota 4,2 de 5,0 e possui quase setecentas avaliações. Além disso, são 486 páginas, incluindo a nota final e foi originalmente publicado em 2015. É interessante notar que seu título é muito semelhante ao novo livro de Dan Brown, O Segredo Final.

Boa leitura!

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