A inquietante sensação da hipersensibilidade ao mundo, sentir além da normalidade, como dizia Emil Cioran, o qual, assim como eu, adotou o papel e a caneta como seus melhores amigos. Eu não saberia explicar a razão dele para tal, mas no meu mundo, o papel tem a capacidade de me ‘ouvir’ sem me julgar ansioso por dizer o que devo fazer, como devo me comportar, como devo ver o mundo, como devo tratar as pessoas, como devo ser aquilo que não sou. O papel não me repreende, ele simplesmente me entende, permanece calado, registrando todas as minhas inquietações sem pretensão alguma de me fazer questionamentos.
Escrever alivia o peso da minha alma, transporta-me para uma paz inexplicável. Todos esses sentimentos materializados em letras e palavras provam que a minha salvação está na escrita, pois ela tem a capacidade de me proteger de mim mesmo. As dores do mundo tornam-se mais toleráveis à medida que uma folha em branco vai absorvendo o meu excesso de realidade, a minha alta sensibilidade e todas as minhas incongruências. Assim como um guardanapo que, posto sobre uma fina camada de água, suga-a toda para si, deixando a superfície completamente incólume, todos os meus excessos se dissolvem em uma folha em branco à espera dos meus devaneios incompreensíveis às mentes humanas.
Irrita-me, profundamente, a superficialidade das pessoas que, quando se deparam com a minha hipersensibilidade, apenas conseguem dizer que profissional da saúde poderia me ajudar. Essas são as mesmas pessoas que tentam simplificar a minha complexidade, acreditando que uma simples conversa com um psicólogo, possa me trazer soluções para aquilo que sou desde que cheguei a este mundo.
Você gosta de profundas reflexões sobre a existência humana mescladas a mistério, suspense e sociedade secreta? V.I.X.I. Códigos de Praga é o livro certo para você!

Sinopse
Na misteriosa cidade de Praga, Ean Blažej, um jornalista solitário e apaixonado por filosofia, dedica grande parte de seu tempo aos livros. Certa noite, tem um pesadelo perturbador. Desde então, anonimamente, passa a receber mensagens e códigos secretos que o confundem, levando-o a diferentes pontos da cidade e a um castelo medieval, conhecido por ser um portal para o inferno. O local esconde uma sociedade secreta. A situação foge do controle quando explosões premeditadas sacodem Praga. Então, Ean se apressa para descobrir o que está além do que os olhos podem ver. Uma aventura detetivesca repleta de ação, mistério, conexões intrigantes e reflexões profundas sobre a solidão na vida moderna.
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Cansei-me de tentar me explicar e me encaixar na vida dos outros quando percebi que o encaixe somente se daria se eu fosse moldado ao bel-prazer deles. O dia em que encarei a realidade e entendi que eu nunca seria compreendido, foi um dos momentos mais difíceis da minha vida, pois foi quando eu soube que estou fadado à solidão até o último dia da minha vida. Isso ainda dói, contudo, fui me tornando aquilo que sou, mesmo que seja a metamorfose mais dolorida da vida. “Torna-te quem tu és” já dizia frase do filósofo grego Píndaro, popularizada por Friedrich Nietzsche.
Frequentemente, invade-me um sentimento de tristeza e me questiono sobre a razão de ser quem sou. Por que eu não sou uma pessoa comum? De desejos, sentimentos e sensibilidade ‘normal’? Tais respostas eu nunca terei e com essas dúvidas conviverei até o último dia de minha vida. Cá entre nós, às vezes, ela fica tão pesada, que sinto o desejo de que acabe em breve. Por outro lado, sinto-me abençoado, posso assim dizer, por ter nascido com tamanha sensibilidade, por mais sofrimento que isso possa me causar. O que me ameniza é que, de uma forma ou outra, todos somos pobres diabos atormentados agarrando-nos a um fio de esperança e bebendo gotas de felicidade.
É duro ser só, saber que vou passar todos os finais de semana sem uma mensagem de alguém perguntando como estou. Aplicando mais realidade a isso, saber que assim serão todos os dias da minha vida, mais sozinho a cada dia que passa. Como eu já escrevi em outras oportunidades, não busco olhares de pesar, mas apenas conforto no desconforto. Enquanto eu tiver forças, seguirei pelos caminhos da vida e, espero que na hora da minha morte, eu não tenha tempo de sentir arrependimento algum por me isolar do mundo para ter uma pouco de paz, mesmo que os meus pensamentos me atormentam diuturnamente, fazendo-me questionar se é melhor ficar só em meio a um turbilhão de pensamentos ou dividir meu tempo com alguém que possa me distrair de quem eu sou. Não sei em qual situação a paz ou a inquietação estaria mais propensa.