O mais alto grau de liberdade é experimentando quando entendemos que decepcionar os outros, por não atender as suas expectativas, é uma forma sublime de viver livre em um mundo em que somos criados com grandes expectavas de que devemos ser todos bem-sucedidos, ou seja, ter dinheiro, casa, boa aparência e uma vida honesta. Esta última, pode ser somente uma representação, não é necessário realmente sê-lo, pois os três primeiros aspectos já bastam para a maioria vê-lo como alguém de sucesso.
A grande questão é que chegar a esse grau de liberdade exige consciência e maturidade. Esta vem antes, pois ela é o passo inicial para o desprendimento entre aquilo que o mundo espera de nós e aquilo que realmente somos ou seremos. A consciência vem na sequência e dela começa a nascer a liberdade quando passamos a compreender que não atingiremos muitas de nossas próprias expectavas, quem dirá as alheias. No começo, aquele sentimento de que pouco importa o que os outros esperam de nós é encarado com ceticismo e receios, pois, no fundo, temos medo de desagradar.
Com o passar do tempo, o desapego das expectativas alheias começa a se tornar uma espécie de vício, pois a agitação de um espírito inquieto que busca agradar a todos, cede espaço a um espírito sereno centrado apenas naquilo que realmente importa que é o fato de nos colocarmos em primeiro lugar percebendo que o que realmente devemos levar em conta são as nossas próprias expectativas. Nós não temos a obrigação de sermos aquilo que os outros desejam, visto que já é extremamente complicado sermos aquilo que nós mesmos queremos ser.
O próximo passo é livrar-se das expectavas alheias que passamos a carregar acreditando que são nossas. Com esse distanciamento, os pensamentos se tornam mais claros. Já não carregamos as exteriores, agora nos concentramos em nos livrar daquilo que foi embutido em nós. Assim, esse processo de libertação vai tomando proporções inimagináveis, causando uma sensação de paz nunca experimentada. Então, percebemos que muito do que temos em nós, não nos pertence de forma alguma.
Por fim, a quintessência da libertação é experimentada quando você percebe que não tem a necessidade nem de atingir todas as suas próprias expectativas e que decepcioná-las é parte do processo. Afinal, alcançar todas é uma forma de estar em busca da perfeição, a qual não existe na vida humana. No momento em que respiramos esse ar puro, sem expectativas, nossa mente fica completamente limpa e conseguimos entender por quais expectativas internas devemos trabalhar.
Contudo, ainda podemos nos decepcionar com nossos próprios atos não atingindo aquelas pelas quais decidimos batalhar. Entretanto, enquanto estivermos vivos temos a possibilidade de reiniciar esse processo buscando trabalhar de uma forma mais inteligente para que seja possível materializar aquelas que realmente importam. Assim, com essa maturidade e consciência, temos a liberdade de nos livrarmos de todas as ansiedades alheias, parte de nossas e ir em busca daquilo que, de verdade, importa na vida. Sem clareza de pensamento, a qual é apenas atingida após esse longo processo, vivemos inquietos e esgotados em busca de algo que nem sabemos o que é. A plenitude é viver em meios as expectativas sem deixá-las massacrarem a nossa alma. Concentro-me naquilo que importa para mim, o demais, descarto ou deixo em segundo plano.