Sobre viver uma vida refletida longe do paraíso

“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.” – Sócrates.

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Imagem: Pixabay

“Quem come do fruto do conhecimento é sempre expulso de algum paraíso” é uma frase de Melanie Klein, uma psicanalista que explora como o saber traz perda da inocência e nos afasta de zonas de conforto, como a ignorância feliz, resultando em autoconhecimento, mas também na desilusão e no abandono de uma segurança superficial. O “paraíso” simboliza a ilusão ou a inconsciência, e a expulsão significa o amadurecimento e a busca por uma realidade mais profunda e autêntica, mesmo que solitária.

Atenho-me ao fato de que ao longo de minha, a busca pelo conhecimento sempre foi algo natural que crescia concomitantemente ao meu ser. Assim, inocentemente fui seguindo a meu caminho. Nessa jornada, o conhecimento passava a fazer parte de mim, mais e mais, de uma forma dominadora. Demorei a perceber que isso teria um alto custo, o qual seria a grande dificuldade em viver na superficialidade da alma humana. Isso se torna uma dificuldade, pois chega um momento em que se sentar em uma roda para falar sobre assuntos cotidianos me é insuportável – prefiro utilizar o verbo ‘falar’ em vez de ‘conversar’, pois esse último exige reflexão, a meu ver e o ‘falar’ me parece um ato aleatório e impensado.

Insuportável pelo fato de que os assuntos das rodas de encontro entre famílias e amigos, costumam transitar por questões de relacionamento, banalidades, fofocas, tragédias ou gozação. O que me perturba aqui é que são assuntos que sempre se repetem e normalmente, não dizem respeito às pessoas que sobre eles falam, ou seja, restringem-se à vida alheia. Já escrevi outras vezes que não sinto atração alguma por falas que se tratam sobre quem traiu quem, quem se divorciou de quem, quem matou quem, quem teve um filho de quem, quem abandonou quem, quem falou sobre quem e muito menos o que disseram sobre tudo isso. Eu simplesmente não consigo participar dessa orgia de superficialidades.

Quando não consigo fugir de tais encontros, normalmente ouço a tudo calado ou expressando reações bovinas – hum – como diria Leandro Karnal. Contudo, se alguém me convidar para um café em que se discuta livros, viagens, reflexões, possibilidades de carreira, descobertas…tudo aquilo que se traduz em novos conhecimentos e aprendizado, certamente não hesitarei em estar presente. Ainda, há algo que noto em mim é o fato de que, em grupos, eu raramente consigo me expressar, pois quando há muitas pessoas (leia-se mais de três), acredito que nunca se pode discutir em profundidade como se pode fazê-lo a dois. A isso, acrescento que em grupos, muitas vezes, por mais que se proponha a conversar, acaba-se fugindo do assunto e, a dois, isso, notavelmente, não acontece.

Voltemos ao assunto principal que é o fato de que a expulsão dos ‘paraísos’ tem um alto custo por um tempo, pois você começa a mergulhar em si mesmo, a explorar o mundo interior e descobre que os maiores tesouros estão na vida refletida. Então da vida irrefletida, repleta de pessoas, passa-se à vida solitária e refletida, a qual, segundo Sócrates é a que realmente vale a pena ser vivida. É somente na solidão e no recolhimento que se pode convictamente refletir sobre si e sobre o mundo entendendo que é onde se encontra a verdadeira arte de ser quem se é, sem necessidade de aplausos ou olhares alheios.

Essa expulsão também pode vir por meio de experiências que é o que se passou comigo em vários aspectos. Concentrar-me-ei no conhecimento, o qual me atingiu como um meteoro no ano de 2007 quando li ‘O Código Da Vinci’, livro que mudou a minha forma de ver o mundo. A partir de então, passei a questionar abertamente, todas as crenças religiosas que me foram impostas roboticamente. Ademais, passei a me perguntar sobre todas as outras crenças que estavam em mim querendo saber se eram algo em que eu realmente acreditava, o sentido que faziam e para que realmente serviam. Mais tarde, outros livros foram abrindo o meu caminho até chegar à filosofia, a qual me fez me voltar para o meu interior e questionar esse meu mundo que até então era completamente desconhecido.

Outro aspecto que me influenciou muito na minha forma de pensar e ver o mundo foi as viagens que passei a empreender a partir de 2013 quando, pela primeira vez, saí do conforto do meu lar, tomado por medos e incertezas. Desde então, foram inúmeras viagens a diversos países e cidades de variadas regiões do mundo. Isso tudo me vale muito mais do que anos que passei sentado em um banco escolar onde eu apenas repetia e memorizava fórmulas e conteúdos que não me faziam algum sentido. Diante da minha percepção aguçada, decidi que precisava buscar as minhas próprias respostas longe de tudo e de todos.

Certa feita, em Praga, deparei-me com o Muro de John Lennon e lá estava um provérbio famoso: A ignorância é uma bênção. Ele me fez pensar sobre o que me faria mais feliz, uma vida irrefletida, tomada pela superficialidade ou uma vida refletida profundamente banhada em melancolia e solidão. Mas a esse ponto eu já sabia que a segunda opção é a que sempre fez mais sentido para mim. Eu tive a opção e escolhi mergulhar nas sombras, ir além, ver o que está fora do alcance da visão e descobrir o mundo e a mim mesmo, não importando o custo.

O gatilho para esse texto foi, mais uma vez, um livro que estou lendo, o qual se chama ‘O Segredo de Espinosa’, no qual, Bento, aos 10 anos de idade, dotado de muita inteligência e sagacidade passa a questionar a fé que sempre lhe fora imposta. Descontente com as respostas vagas, passa a buscar por si mesmo todas aquelas de que necessita. Logicamente, que nesse processo todo, ele é confrontado por medos, inquietações, perturbações, pessoas, e todos aqueles que creem cegamente sem questionar. Vejo-me como Bento, no ano de 2007, mas com muita satisfação e orgulho por ter seguido pelo caminho

O meu livro V.I.X.I. Códigos de Praga é um dos produtos da minha expulsão do paraíso! 

SINOPSE

Na misteriosa cidade de Praga, Ean Blažej, um jornalista solitário e apaixonado por filosofia, dedica grande parte de seu tempo aos livros. Certa noite, tem um pesadelo perturbador. Desde então, anonimamente, passa a receber mensagens e códigos secretos que o confundem, levando-o a diferentes pontos da cidade e a um castelo medieval, conhecido por ser um portal para o inferno. O local esconde uma sociedade secreta. A situação foge do controle quando explosões premeditadas sacodem Praga. Então, Ean se apressa para descobrir o que está além do que os olhos podem ver. Uma aventura detetivesca repleta de ação, mistério, conexões intrigantes e reflexões profundas sobre a solidão na vida moderna. 

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