Escritor autista erexinense relata sua vida em livro

Quando a Infância Dói – Vol. 2 foi lançado em São Paulo no último sábado (02).

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A livraria Travessa, no Shopping Villa Lobos, na capital paulista foi palco do lançamento do volume 2 da obra que se propõe como o maior e mais completo manual da criança e seu mundo. O livro foi coordenado pela psicóloga mineira, Karla Filó, especializada em neuropsicologia e lançado pela Literare Books.

Nesta obra, o escritor, professor e jornalista, Cássio Felipe, escreveu um capítulo intitulado ‘A vida adulta de uma criança esquecida’ em que relata a sua vida na infância, adolescência e fase adulta sendo autista, nível de suporte 1, sem saber de da condição. O diagnóstico foi recebido em março deste ano e trouxe um novo significado à vida do escritor fazendo-o entender as situações pelas quais passou ao longo de sua vida.

Cássio Felipe Rogalski, coautor (Foto: Aline Rudysink)

Além disso, ele relata como o conhecimento e autoconhecimento, por meio dos livros mudou a sua vida. “Não fosse minha busca incessante para me entender e entender o mundo, lendo muito ao longo de minha vida, talvez eu não estaria aqui para contar essas histórias. Foi por meio do autoconhecimento que passei a entender a minha existência e chegar ao possível diagnóstico de autismo, o que foi confirmado por avaliação de uma profissional.”, afirma Cássio.

O escritor afirma que não busca “privilégios”, mas apenas mais respeito à causa autista, pois são pessoas altamente sensíveis que sofrem de várias maneiras neste mundo caótico e barulhento que não se cansa de maltratar aquilo que foge ao “ideal” na sociedade. Ela acrescenta que muitos autistas, como ele, podem viver e se desenvolver profissionalmente, constituir família e seguir a vida esperada, mas sempre enfrentando grandes desafios.

Conheça a obra

“Quando a Infância Dói – Volume 2” chega às livrarias para aprofundar o debate sobre traumas infantis e inclusão

Após o estrondoso sucesso do primeiro volume – que figurou por quatro vezes entre os mais vendidos do país segundo o PublishNews e marcou presença na lista dos mais vendidos do jornal O Globo – a obra Quando a Infância Dói ganha continuação com o lançamento do seu segundo volume.

Com coordenação da neuropsicóloga Karla Filó e a participação de 43 coautores, o novo livro dá sequência a um projeto corajoso e necessário: escancarar as dores silenciadas da infância e propor um olhar mais lúcido, humano e responsável sobre o desenvolvimento infantil.

A obra já está a venda nos principais market places como Amazon, livrarias ou diretamente com os coautores. O novo volume chega ancorado pela contundência que tornou o primeiro um fenômeno editorial: a recusa do conforto, da neutralidade e da romantização da infância. O livro é um chamado à transformação – individual e coletiva – por meio da escuta e do acolhimento.

Karla Filó, psicóloga e coordenadora da obra (Divulgação)

Em um trecho da introdução, Karla Filó afirma: “Este livro não é pra quem quer conforto, mas sim, pra quem busca lucidez, orientação e apoio.” Com essa premissa, a obra mergulha em temas como abandono afetivo, violência simbólica, inclusão escolar, transtornos do neurodesenvolvimento e os impactos emocionais das experiências adversas na infância. Longe da imagem idealizada promovida pelas redes sociais, o livro convida o leitor a encarar verdades incômodas, mas fundamentais: a infância dói, deixa marcas, molda destinos – e ignorar essa realidade perpetua sofrimentos por gerações.

Quando a Infância Dói – Volume 2 não é apenas um livro. É um manifesto. Um projeto que ecoa vozes diversas – profissionais da saúde, da educação, da psicologia e da vivência – para que nenhuma criança continue sendo silenciada em suas dores. E mais: para que adultos possam finalmente reconhecer e cuidar das feridas que carregam desde cedo.

Com lançamento aguardado e conteúdo provocador, a obra reafirma a importância de colocar a infância no centro das discussões sociais, políticas e emocionais. Afinal, como destaca a própria introdução: “Negligenciar a infância é um crime silencioso.” E escolher aprender sobre ela é um ato de coragem.

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