O aniversário de nascimento provoca os mais variados sentimentos em diferentes pessoas. Há aquelas que amam a data, portanto, celebram todos os anos com família e amigos. Há aquelas que celebram a data por pressão social. Há aquelas que realizam uma celebração para a família e outra para os amigos. Por fim, há aquelas que preferem não celebrar, pois, de alguma forma, é uma data que as deixa tristes e, para isso, cada um tem a sua razão. A única certeza que tenho em relação ao aniversário de nascimento é que ele é capaz de provocar alguma espécie de sensação em cada pessoa que com ele se encontra.
Neste dia 1º de novembro, celebro 36 anos de vida. Segundo as histórias de nascimento que fazem parte da minha vida, eu havia nascido cinco minutos passados da meia-noite, no dia dois de novembro, mas o médico resolveu me registrar dia primeiro. Confesso que amo a minha data de aniversário, pois fica entre o Dia das Bruxas e o Dia dos Mortos o que, para muitos, seria bastante desagradável estar sob minha pele. De forma alguma, algum dia me senti mal por sair do dia de terror, comemorar o meu nascimento e seguir para o dia de tristeza e silêncio. Acredito que fui abençoado com esta data já que o lado sombrio da existência humana é parte da minha essência e não gostaria de ter nascido próximo a alguma data festiva que não envolva terror ou tristeza.
Confesso que já gostei muito de celebrar o meu aniversário sem entender o que isso realmente significava. Com o amadurecimento, passei por uma fase de recolhimento, inclusive com desejo de não comemorar mais a data. Houve um ano, 2019, que decidi, pela primeira vez, comemorar meu aniversário sozinho ao viajar para São Paulo para assistir ao show da Dido, cantora britânica, da qual sou o maior fã. Sinceramente, não lembro como me senti naquele dia, mas me recordo com saudosismo da apresentação a que assisti, que foi a única no Brasil até hoje. Acredito que, a partir deste ano, meus aniversários passaram a ser cada vez mais discretos. De consideráveis celebrações à íntima celebração com a família imediata, alguns poucos e bons amigos. Penso que fiz uma boa escolha, pois me sinto feliz por esse formato que tal momento tomou.
Algo que mudei, nesses últimos anos foi o fato de não mais convidar quem não me convida para o seu aniversário, pois, por toda a minha vida, devido à data de Finados, a família se reunia também com o objetivo de se reencontrar, pois é um momento em que todos voltam às suas origens e relembram sobre o lugar onde irão parar. Assim, mesmo sem convites, a data era lotada. Deixei de convidar as pessoas pelo fato de que nunca fora convidado para as suas festas de aniversário, pois, ou moravam longe ou diziam que não gostavam de celebrar. Com o tempo, essas desculpas deixaram de fazer sentido, por isso não convido mais ninguém que não seja da família imediata. Quanto aos amigos, fiz o mesmo, círculo cada vez menor.
De forma alguma, tenho algum ressentimento por quem não me convidou. Apenas, passei a entender que as pessoas realmente importantes estão hoje presentes em meu aniversário e que, se eu nunca fui importante aos outros, qual seria a razão de fazê-los importantes em minha vida? Portanto, não faço mais questão alguma de celebrações em que pessoas aparecem por conveniência. Sigo o meu coração e aquilo que penso que realmente importa, ou seja, em primeiro lugar o meu desejo perante a essa data; segundo o de ter a família e os bons amigos reunidos, que é o que realmente importa.
E você também está cada vez mais recluso e exclusivo?