Do inconveniente da minha (in) existência

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Em minhas profundezas, um aborrecimento profundo pela condição humana me preenche. O real sentimento daquilo que se conhece por paz, existe somente em minha solitude, mas nem ali, constantemente. Na presença de semelhantes, repetidamente me sinto tão desconfortável e turbulento a ponto de meu único desejo ser o isolamento. Manter a distância tem sido a minha regra e quando não posso de ela usufruir, minha energia se drena em um pequeno número de horas.

De alma demasiadamente profunda, eu abissalmente senti quando Van Gogh disse que ele não sabia se estava extremamente amargurado ou se o mundo era insuportável. Confesso que, para mim, a insuportabilidade da condição humana e a amargura interior se fundem em algo inexplicável. Como dizia Franz Kafka, pareço estar constantemente tentando comunicar o incomunicável.

Acredito que no fim das contas, sou eu quem me decepciona, como também dizia Kafka. Afirmo isso, pois toda essa aura de insuportabilidade faz de mim mesmo o maior sofredor, esperando apenas pelo momento de ser decepcionado e decepcionar todos e tudo aquilo que me rodeia. Percebo carregar o fardo do inconveniente de ter nascido, como Emil Cioran intitulou uma de suas obras e que a mim, atinge-me como uma lança que me perfura causando uma dor lancinante. O desconforto de estar na minha própria pele, muitas vezes, me sufoca; outras vezes, dá-me alguma sensação de conforto, pois sou demasiadamente humano, como dizia Nietsche, o que me faz sentir tudo além daquilo que uma pessoa considerada normal, pode sentir.

Deveras, tenho a sensação de que apenas experimento algum conforto na minha existência quando estou longe da convivência humana, sem qualquer semelhante no meu campo de visão. Isso soa apavorante, mas eu não sinto ódio dos humanos, apenas prefiro manter distância sempre que possível, pois o contato rotineiro me sufoca. Sinto que posso viver por meses sozinho, sem qualquer proximidade. É-me incompreensível tal desejo, contudo, meu tempo de existência, proporciona-me algumas pistas da insuportabilidade da minha alma.

Desde que me conheço, travo uma batalha constante para aquilo que eu deveria ser e contra o que sou, não obstante, costumeiramente, o ‘quem sou’ vence e para viver em um mundo onde as aparências são o que importa, visto uma máscara. Contrariamente a Kafka, não me sinto envergonhado em fazê-lo, pois se eu mostrar a minha real essência, não consigo pensar em sequer uma pessoa que me suportaria. Minha necessidade de solidão e misantropia são, concomitantemente, a minha fonte de paz e de perturbação.

Por vezes, sinto-me tão incapaz de manter algum contato saudável com o mundo que a única solução aparente seria o meu perecimento. Vivo em uma frequente inquietação, mas já cheguei a um ponto da minha jornada em que nem um desabado profundo sobre a minha condição, incomoda-me mais. Prescindo de todas as minhas máscaras, vestimentas e opiniões sobre as pessoas e o mundo. Arriscar-me-ia dizendo que com nada mais me importo. Se eu fracasso ou bem-sucedo, se sou estimado ou rejeitado, se sou uma boa companhia ou se não me suportam, se me buscam ou se me evitam, sem me solicitam ou se me ignoram. No fundo, pouco me importo a mim mesmo.

“Acumulas conquistas, ganhos e lutas para fugir de ti, para vencer tua aflição de que, no fundo, não existe outra coisa senão tu mesmo.” – Emil Cioran

Convido você, leitor, a acompanhar o lançamento do meu primeiro livro chamado V.I.X.I. – Códigos de Praga em meu Instagram. Além disso, lá você encontra profundas reflexões sobre a vida e a existência humana.

Obrigado por me acompanhar!

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