Um convite para a festa da insignificância

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Cientes ou conscientes, todos buscamos um significado em nossa existência, seja por meio do que somos, do trabalho que realizamos, dos sonhos que temos ou do bem que desejamos. Há aqueles que não imaginam suas vidas sem um significado, outros pouco se importam com isso. Filosoficamente falando, somos todos insignificantes, pois a qualquer momento, podemos descobrir que temos poucos dias de vida, que nosso trabalho foi todo por água abaixo, que nosso esforço foi em vão ou que, simplesmente podemos morrer no próximo minuto. Assim, buscamos significância em nossa insignificância.

Mais contemporaneamente falando, buscamos ser significativos por meio das redes sociais, território em que a perfeição contrasta com a miséria da vida real. O mais impressionante do mundo virtual é que as pessoas realmente acreditam que a vida que exibem tem significado. Até pode possuir, mas fora das telas, de frente ao espelho após um banho, poucos têm a coragem de mostrar quem de verdade são, poucos encontram significado nesse momento. A maioria se esconde atrás de máscaras que apenas apresentam o real valor de sua insignificância.

Com essa prepotência de nos tornamos significantes, Milan Kundera, escritor tcheco, escreve um livro que contrasta com o desejo de sermos significantes, e que nos mostra, na realidade, o quanto insignificantes somos. A festa da insignificância nos apresenta que, no fundo, deveríamos amar a nossa insignificância, jamais temê-la, pois onde estamos, ela está conosco e é parte intrínseca da natureza humana.

“A insignificância, meu amigo, é a essência da existência. Ela está conosco em toda a parte e sempre. Ela está presente mesmo ali onde ninguém quer vê-la: nos horrores, nas lutas sangrentas, nas piores desgraças.  Isso exige, muitas vezes, coragem para reconhecê-la em condições tão dramáticas e para chamá-la pelo nome. Mas não se trata apenas de reconhecê-la, é preciso amar a insignificância, é preciso aprender a amá-la.”

Na obra, publicada em 2013, quatro amigos que vivem em Paris conversam sobre coisas insignificantes, gastam muita energia sobre assuntos mundanos e tolos que pouco acrescem à intelectualidade humana e que não os levam à conclusão alguma sobre as questões importantes à vida humana. Cada um deles tem um trauma e suplantados por eles, divagam sobre a banalidade da rotina mergulhados em questões existenciais misturando a realidade com a imaginação. Solidão, melancolia e frustração são características onipresentes nos personagens do livro.

Mergulhados em semelhante insignificância, nós vivemos nossas vidas sempre em busca do prazer objetivando afugentar o tédio e a dor a todo custo. A prometida felicidade sempre paira no ar, mas nela pouco conseguimos tocar e isso nos afunda em um mar de melancolia repleto de significados que poucos podem entender. Outros poucos sabem que a nossa insignificância é cheia de significados, portanto aqueles que aprendem a tirar um significado da insignificância, habilmente ressignificam as suas vidas. Estes, mesmo atingidos pelo existencialismo, destacam-se na festa da insignificância.

Talvez, tudo o que você tenha lido até agora neste texto carece de algum significado. Para isso, é importante entender que o real significado à vida e a tudo aquilo que nos rodeia, somos nós mesmos que o atribuímos. Contudo, costumeiramente, abordamos em nossas conversas diárias assuntos cheios de insignificância e, está tudo bem, pois devemos compreender que nem tudo precisa ter significado. Afinal, a vida nos é um mistério e enquanto se busca significado em tudo, é-se atormentado pela insignificância.

“Olhe para eles! Estão dispostos a ir a qualquer lugar, a fazer qualquer coisa, apenas para matar o tempo com o qual não sabem o que fazer. Não conhecem nada, portanto se deixam conduzir. São soberbamente conduzíeis… claro, a uniformidade reina em toda parte. Mas, neste parque, ela dispõe de uma escolha maior de uniformes. Assim, você pode guardar a ilusão da sua informidade.” 

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Obrigado pela sua leitura! 

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